quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Novo dia, novo ser


Hoje resolvi mudar o nome do blog. Ao invés de 'Vivendo com AIDS', resolvi colocar 'Vivendo com HIV'. Quando fui ao hospital escola da UFRJ, o chamado Projeto Praça Onze, conversei com a Dra. Narda, que me explicou a diferença. Eu tenho o vírus HIV, mas ainda não manifestei nenhuma doença que caracterize a AIDS. E assim pretendo ficar.

Ao chegar naquele prédio pichado e sujo no Centro do Rio, na Av. Presidente Vargas, pensei em voltar dali mesmo. Porém, de cabeça erguida, segui em frente. Fui bem recebido, bem atendido e, ao conversar com a Dra. Narda, quase tive um crise de choro. Mas as lágrimas ainda não saíram, não as permitirei sair. Conversei bastante com ela, sempre mostrando o quanto eu sabia e o quanto eu era ignorante com relação à minha doença.
Ela me explicou a natureza do Projeto Praça Onze, que busca voluntários virgens de tratamento com anti-retrovirais, pois os remédios só são ministrados pelo SUS quando a imunidade do paciente já está baixa. No caso da pesquisa, eles testam se o tratamento com remédios é ou não mais eficaz quando o CD4, ou teste que mede a carga viral no sangue, ainda está positivo. Ou seja, acima da média estabelecida pelos orgãos de saúde para início de tratamento.

O Ricardo esteve lá comigo, mesmo que hoje eu não tenha feito exame nenhum. Todavia, saí de lá com uma idéia fixa: a de conversar com o Ian e o Fábio sobre o que ocorreu entre nós... Mas ainda não tenho coragem pra isso. Como ainda não tenho coragem de conversar com o Rodrigo sobre isso.

Rodrigo é um rapaz fascinante que conheci a cerca de duas semanas e nós meio que estamos namorando. Eu o acho doce e interessante; tenho medo que ele venha a se afastar de mim. Vou esperar as festas de fim de ano e então converso com ele abertamente. Se ele gostar de mim, vai compreender minha condição.

Só não quero ficar sozinho.

Não tenho coragem, e também acho desnecessário, de contar nada a ninguém da minha família. Quem sabe o momento chegue algum dia, mas não é hoje. Não consigo para de pensar no momento em que recebi o resultado positivo. É só fechar meus olhos e relembro o olhar da doutora... Nem foi preciso ela dizer nada para que eu entendesse o que acontecera.

Se não fosse a chance de desabafar com o Ricardo, eu ficaria louco. Nosso namoro pode não ter dado certo, mas ele é o melhor amigo que eu jamais tive.

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